Recordar e resgatar a história da Pastoral da Juventude Nacional (PJ) é um ato maravilhoso de rever lugares, pessoas, olhos e sorrisos de milhares de jovens que foram se tornando protagonistas por causa do projeto de Jesus Cristo. É um pequeno aperitivo desta ação que fez a Igreja do Brasil mais comprometida e engajada na construção dos sinais de vida.

Maringá
Na Arquidiocese de Maringá, a Pastoral da Juventude nasceu depois de uma reunião articulada pelo padre Julinho (Júlio Antônio da Silva), em outubro de 1980. São mais de três décadas de atuação em comunidades paroquiais e entidades da sociedade organizada, com jovens comprometidos, acreditando fielmente que outro mundo é possível.

Brasil
A história da Pastoral da Juventude começa pelos anos 70 ou, até, com a Ação Católica Especializada (JAC, JEC, JOC, JUC), nos anos 60. Não podemos negar que aprendemos muito da Ação Católica, da Teologia da Libertação, da Pedagogia do Oprimido.

No final da década de 70 e no início dos anos 80 a Igreja vivia um período de grandes expectativas, pois Medellín e Puebla trouxeram novos ares para a ação pastoral com a opção concreta pelos pobres e pelos jovens. Esta opção possibilitou ampliar o trabalho que vinha sendo desenvolvido com a juventude em movimento, para a construção de uma proposta mais orgânica.

As dioceses passaram, então, a organizar a evangelização dos jovens em pequenos grupos (entre 12 a 25 jovens) e, para melhor acompanhar a organização e formação dos jovens, iniciou-se a articulação de encontros nacionais com o propósito de melhorar a comunicação e proporcionar o intercâmbio e a sistematização de experiências.

A PJ, no seu todo, foi valorizando e incluindo em sua caminhada novas experiências de trabalho com a juventude a partir de seu meio específico: juventude rural, juventude estudantil, juventude universitária e juventude dos meios populares – o que lhe foi exigindo uma nova forma de se articular e se organizar.

Os encontros e assembleias tornaram-se momentos ricos de refletir sobre o acompanhamento dos jovens para a vida em grupo. Aí a Pastoral da Juventude iniciava seus famosos Seminários para Assessores, que serviram como laboratório e espaços de reflexões importantes como: o Processo de Formação na Fé, a Metodologia de Trabalho com Jovens, o mundo do trabalho, a cultura, as Políticas Públicas de Juventude, o Planejamento da Ação Pastoral, a Missão, e tantas outras discussões.

A Pastoral da Juventude (PJ) realizava seu planejamento e deliberação (definindo Planos de Ação, organização interna. etc.) nas Assembléias Nacionais da Pastoral da Juventude. A  partir da 11ª ANPJ (Assembléia Nacional da Pastoral da Juventude), contudo, em 1995, surgiu a PJB (Pastoral da Juventude do Brasil), uma organização onde  as quatro pastorais de juventude: Pastoral da Juventude(PJ), Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), Pastoral da Juventude Estudantil(PJE), e Pastoral da Juventude Rural(PJR) reivindicavam  participação paritária – o que trouxe muitos questionamentos para a PJ como tal.

A Assembléia da PJB não era mais a Assembléia da PJ.  Essas datas são marcantes pois, a partir dela, a PJ não concentra mais sua articulação no espaço da Pastoral da Juventude do Brasil – PJB – mas decide fazer um caminho de reflexão que vai culminar em um novo modelo de organização própria, sem deixar de pertencer ao todo.

Ao incorporar novas formas de se organizar, trouxe também momentos de conflitos e crises que possibilitou abrir a discussão sobre o melhor espaço e metodologia de se chegar até os adolescentes e jovens. Para a organização interna da PJ essas mudanças causaram principalmente dois problemas:

1 - A PJ não tinha mais um espaço próprio de deliberação e planejamento em que pudesse discutir sua articulação nacional interna e seus desafios específicos.

2 - A participação da PJ nestas Assembléias ficou reduzida, pois esta se dá de forma paritária, ou seja, com vagas distribuídas igualmente entre as pastorais e não por regionais como antes. Isso provocou um distanciamento muito grande das dioceses com a instância nacional.

Até a 10ª Assembléia Nacional da PJ, em Vitória, cada pastoral específica (menos a PJ como tal) tinha sua organização própria com possibilidade maior de assimilar outra estrutura organizativa para a PJ do Brasil.  A PJ, no entanto, ainda não tinha sua organização própria.  Os delegados da 10ª, que representavam o que ali era chamado de PJ Geral, perceberam que, para avançar com segurança, era preciso dar tempo para que essa articulação  de PJ pudesse se organizar. 

Sentiu-se a necessidade e a importância de um espaço de reflexão e entre-ajuda para os jovens da PJ, para repensar uma organização própria. Por certo tempo a PJ ficou um pouco perdida, pressionada a se tornar uma específica e criar uma estrutura própria. Este período foi, também, de intensa produção de cartas, textos e materiais de estudo sobre a identidade (sigla), missão, especificidade.

É nesse contexto que começaram os Encontros Nacionais da PJ, sem a participação da PJR, da PJE e da PJMP. Os três primeiros encontros nacionais aconteceram em clima um tanto tenso, de angústia, de luta e de esperança, mas que se foi aclarando com o decorrer da caminhada. Tratava-se de uma busca de identidade e de inserção na caminhada de conjunto das outras pastorais de juventude.

Nesta caminhada a Pastoral da Juventude celebra e reconhece o apoio, a presença e o acompanhamento que a organização recebeu ao longo do tempo. Merece destaque aqui a presença efetiva da organização da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, no Setor Juventude, seja através dos bispos acompanhantes das PJs ou dos assessores e assessoras.

Junto a essa presença e apoio, figura-se com muita importância os centros e institutos de Juventude, que através da Formação, Assessoria e Pesquisa, sempre se colocaram como estrutura de apoio à organização das Pastorais da Juventude.

Fonte: Pastoral da Juventude: um jeito de ser  e fazer. Orientações  para a caminhada: um CORPO em construção. Org. Lourival Rodrigues da Silva. São Paulo: CCJ, 2009.